segunda-feira, 30 de junho de 2008

Fizeram a gente acreditar...


Esta é a semana dos namorados, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. É o momento ideal pra falar de sacanagem.

Se dei a impressão de que o assunto será ménages à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludí-lo. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.

Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples - só é ruim quando feito sem vontade. Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.

(Martha Medeiros)

Te olho nos olhos...

Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.

Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De me inventar de novo.

Desculpa...se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.

A ponto de ver a estrada...
Muito antes dos seus passos.

Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."

sábado, 28 de junho de 2008

Pedra

"Corri coma palavra na mão pra te jogar.

Corri para quebrar tua cabeça com a palavra

Cheguei até a porta da tua alma,

e a passagem interrompida.

Deste ordem a tua alma pra ficar trancada,

ordenaste teu pensamento pra não mais pensar.

e ao amor deste ordem para odiar.

Continuei correndo com a palavra na mão

pra te acertar.

Continuei sofrendo com a palavra na mão

pra te jogar.

Fui até a porta da minha ilusão

pra te encontrar.

percorri minhas salas do sonho somente pra te ver,

com outra palavra na mão pra te tecer.

Continuei correndo com a palavra na mão

pra te acertar, continuei ocorrendo, correndo,

com a palavra na mão até cansar.

Voltei à sala do sonho, abri todas as portas

da ilusão, vi escorada a porta da paixão, sempre

trancado o portão do amor.

Voltei a correr, a correr e, súbita imagem:

eu vi de longe a tua imagem súbita.

Corri, corri, corri pra te olhar,

e, quando te olhei, então não mais te vi.

Levantei o braço pra jogar palavra,

e não havia mais palavra em minha mão.

Continuei com a palavra na mão

pra te acertar, continuei correndo com a palavra

na mão pra te jogar, continuei correndo, correndo,

com a palavra na mão até cansar...

Levanto o braço pra jogar palavra,

e não há mais palavra em minha mão.

Talvez encontre alguma pra te inventar."

(Almeida, Sonia. In: Penumbra)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Sobre a coisa

existe essa Coisa
dentro de mim, eu acho
se não dentro de mim, em mim
mas minha, essa Coisa.

pois então, como Coisa, e não como nome, me assombra o sono e nega a idéia de que vale a pena.
(mistérios precisam aceitar a ausência de respostas, e a Coisa não assenta nesse papel)

muitos rostos foram delegados, um punhado de explicações, vc e vc, mas nada aderiu à superfície d'Ela, escorrendo, sempre, para essas calhas que me coletam, negras.
insidiosa, a Coisa seria parda, se eminência, tanto que agora não sei mais onde Ela começa e onde termino de me entender.

mas um dia,
desnuda a Coisa e aveludada Suas quinas,
encontro o nome disso tudo que me escapa,
me cego de vez com a verdade,
me retiro das paredes, muradas e ameias,
a vigilância abandonada,
para poder, enfim, nada ver.


Delírios de Vida continuada

terça-feira, 17 de junho de 2008

Turma do conquer-blog


Galera...
Eu tb não sei o que houve por aqui... No fórum todo mundo perdido... Alguma m...
Aqui não abre nada, parou, travou, sei lá.. O fórum bichou geral...
Ofereço meu blog existencial pra ver os itens.. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (isso se o blogger não parar tb)

Hugo, Mila, Nack, sou Trojan pô...a DB no meu server ta 35 . Quanto ta custando um ring elite no aquarius??
ring elite +2, vale a pena...????
Budla, te dou os itens se me deres um warrior (já que sou preguiçosa pra criar um) de preferência lvl 90... hahahahahaha.
O Seifert tem um lvl 25 e quer humilhar...

Se o fórum voltar avise-me, sinal de fumaça já que o mundo-server virtual entrou todo em colapso... (tomara que esse faça meu apelo chegar)
Heeeeeeeeeeeelp!!!

Escreve-me!

Escreve-me ...

Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

(Florbela Espanca)

Agora sei e afins..

Um dia como o de hoje... onde tantos sentimentos ressurgiram e apesar disso, não consigo escrever nada. Sinto-me bloqueada para o que melhor sei fazer: falar de mim e do que sinto..
Entao ouço canções. Canções que falam de mim, falam por mim. Pensei criar um playlist completo, talvez juntar os versos e quem sabe, assim, recriar algo coerente sobre a confusão de sentimentos que pro aqui deixa rastros. Lágrimas! A criação não faz parte de mim, ao menos nao hoje.

Horas e horas perdidas. Dane-se o trabalho acumulado, os compromissos...

Nietzsche tinha razão, " a vida sem música seria um erro...". Mas agora quem erra sou eu, mas na escolha das palavras, erro despudoradamente... Entrando em delírios só me resta a música.

(Re) Descobri uma música do Kid Abelha, datada de 1989, contemporânea, apesar do tempo, que discorre sobre descobertas. Chama-se "Agora sei", cuja letra fala, entre outras coisas, sobre as necessidades que surgem qdo a vida adulta nos chama, ou quando o amor nos deixa. Entre versos difíceis encontro-me com " é preciso jogar os sonhos fora e preparar o próprio funeral". E, assim, abrindo mão da própria ingenuidade ou do que ainda resta dela, ensina a canção que é preciso esquecer coisas que já não cabem mais. "Acabou a puberdade, essa é a nossa casa e não a dos nossos pais.. vamos deixar pra tras toda forma de dor.."

Diz tb que, alguma hora, é preciso trancar as portas, nem que seja por sobrevivência.

"Agora sei que é bom
Que se perca a ingenuidade
Ainda que a gente queira
Acreditar em ilusão".

Quanto ao amor... bom, para este a música não traz novidades... Paula Toller empresta sua magnífica voz para uma metáfora pueril que retoma as velhas verdades...

"Agora sei que o amor
É um sabonete dentro d'água
Quanto mais a gente agarra
Mais ele cai da nossa mão

É preciso jogar os sonhos fora
E preparar o próprio funeral
Qualquer dos dois que vá embora
Pros dois o luto é igual"

Bom.. mas não foi isso que senti, hoje. Senti, visceralmente, outra vez (isso sim!), um luto solitário. A verdade dói, mas liberta.
(Deja vu)

- Aos que, como eu, não se conformam só com a letra, oportunizo o prazer de ouvi-la em: http://pollimnia.multiply.com/music/item/7