domingo, 8 de março de 2009

Aviso da lua que menstrua

Bom,
Uma noite como há muito nao tinha ao lado de amigos tão queridos. Regado a papo, realidades e afins... (Jannie, Charles e a estonteante Luana.... Obrigada pela noite!) Lembramos de Elisa Lucinda que, como ninguém, sabe externar a alma feminina. Já nesse último momento de um dia tão especial.. (8 DE MARÇO)

Aproveito para parabenizar todas as mulheres por levar consigo a essência do mundo... E tb aos homens que tem a sorte e o prazer de ter ao seu lado, mães, irmães, namoradas, esposas, filhas, steps (?) e, com isso, poder perceber o quão perfeito pode ser o mundo ao lado delas...
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Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
Cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
Às vezes parece erva, parece hera
Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar, aí é que está:
Cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
Que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
Transforma fato em elemento
A tudo refoga, ferve, frita
Ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
É que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
É que tô falando na "vera"
Conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
Delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
Ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
Já se alcança a "cidade secreta"
A atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
Cai na condição de ser displicente
Diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
Que a mulher extrai filosofando
Cozinhando, costurando e você chega com mão no bolso
Julgando a arte do almoço: eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
Tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
Então esquece de morder devagar
Esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
Chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
Vaca é sua mãe. de leite.
Vaca e galinha...
Ora, não ofende. enaltece, elogia:
Comparando rainha com rainha
Óvulo, ovo e leite
Pensando que está agredindo
Que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!





terça-feira, 3 de março de 2009

'AÍ DEU SODADE'







Tentando contextualizar esse refúgio com os sentimentos mais recentes, descobri que alguns crimes podem ser bem-vindos e nada nocivos e cujos assassinos sempre são Encontrei tb uma frase aparentemente patética e piegas (né Val?) que alguém atribuiu à Clarice Lispector (embora duvide veemente disso):
"Sa
udade é um pouco como a fome: só passa quando se come a presença."

Senhoras e senhores, com vocês a velha, boa (?) e conhecida saudade...Essa que, para mim, surgiu na maior festa profana da humanidade, há exatos 10 dias, e que não tem prazo para ser assassinada. Quem sabe ao final da quaresma.... E agora José? (Se você gritasse, se você gemesse, se você chorasse, se você morresse, mas você nao morre. Você é duro José!)

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Independente daquela discussão de ser uma palavra lusófona que a maioria dos tradutores sofre para reproduzir em suas línguas natais, a saudade é com certeza um sentimento que faz parte da humanidade. Os sentimentos são sempre muito democráticos ao escolher quem eles visitam. Amor, ódio, compaixão, raiva e a saudade entre tantos outros não querem saber se o indivíduo é brasileiro, chinês ou africano. Os sentimentos simplesmente vão aonde querem. E assim é com a saudade. Talvez ela não tenha uma palavra específica em todas as línguas do mundo, mas nem por isso ela deixa de ser um sentimento universal. E mesmo todo esse cosmopolismo não a livra do seu destino que é encontrar a morte.

A saudade nasce pra morrer. Na verdade ela nasce para ser assassinada. Eis ai um crime que ninguém faz questão de castigar. Ao contrário, o ato de matar a saudade, já é em si um prêmio ao criminoso. Digo, aos criminosos, visto que este é um crime que não se comete sozinho. Há no mínimo um cúmplice, isso quando não é um grupo inteiro a eliminar o sentimento em um grande linchamento cheio de beijos e abraços.

Mas aí eu me pergunto: o que acontece quando a saudade não morre? O que vem depois que ela percebe que o objetivo máximo da sua existência não será alcançado e que ela irá sobreviver muito mais tempo do que seria aceitável para alguém da sua espécie? No que se transforma esse sentimento? Em amargura, desespero, rancor? Quem sabe o que vira uma saudade que não se mata? Ficará ela vagando pelo nosso coração em busca de um lugar para repousar? Ou ela simplesmente se rebela e passa a açoitar o nosso peito com lembranças?
Talvez matar as saudades seja tanto um ato de misericórdia quanto de auto-preservação. Misericórdia por ajudar alguém a ter um descanso pacífico e auto-preservação por garantir que não seremos submetidos à escravidão sob o jugo de um sentimento frustrado.



Reflexões em L.S. Alves

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Crianças

Dias atrás me perguntaram, para uma matéria de revista, qual é o melhor aspecto da infância. Não entendo por que perguntam isso logo pra mim, já que nunca escondi que o melhor da infância, na minha opinião, é que ela termina logo! Please, não me recriminem, cada um com suas estranhezas... Eu tive uma infância muito tranqüila, sem nenhum trauma. Morei numa rua arborizada onde andava de bicicleta, brincava na rua, tinha amigos - e meus verões eram sensacionais, passava na praia, fazendo piquenique, brincando de policia-e-ladrão até tarde da noite, na maior segurança. Pai e mãe presentes, um irmão parceiro, colégio legal. Reclamar do quê?

*

Ainda assim, contava os minutos para crescer. Não via a menor graça em ser dependente de tudo e todos. Ter que obedecer. Seguir regras que não eram as minhas. Fui bem comportada, um anjo de menina, mas, por dentro, era uma subversiva em potencial. Eu tinha certeza de que o mundo adulto era infinitamente mais divertido e estimulante do que o infantil.

E não me enganei.

Conheço muita gente que morre de saudades da infância. Fico espantada. É como se dissessem que morrem de saudades de tirar um siso. Eu cumpri todo o protocolo infantil e virei a página: não voltaria nem meia-hora para a infância. Bicicleta, ando até hoje. Amigos, tenho cada vez mais. De imaginação e fantasia, sigo bem abastecida. Saudade de quê, então? De ir dormir na hora que me mandavam, mesmo estando sem sono? De ter que estudar matérias que eu já previa que não me serviriam pra nada? De ter que sair da sala bem na hora em que o papo estava ficando bom? De acreditar em Papai Noel?

Acreditar em Papai Noel até que era excitante. Às vezes faz falta a gente dar crédito ao absurdo.

De qualquer forma, eu não troco minha vida de adulta pela de criança, mesmo tendo que trabalhar e pagar contas, mesmo tendo consciência das misérias do mundo, mesmo enfrentando trânsito e um sem-número de responsabilidades, mesmo me sentindo perdida e desprotegida tantas vezes. É o preço. Em troca, sou dona do meu nariz, das minhas escolhas, dos meus erros e dos meus acertos. A independência é o melhor brinquedo que já ganhei na vida. Ganhei, não: conquistei!

Mas como esse domingo é o dia da criança, fica aqui o desejo de que a gente siga cultivando um pouco da pureza, inocência e confiança que a gente tinha aos 8 anos, coisas que acabam se perdendo com a brutalidade do cotidiano. Se eu não sinto saudade da infância, é porque essa inocência de certa forma ainda preservo, porque sem ela ficamos muito ásperos em relação a tudo. Então, sigamos inocentes, mas sem deixar de curtir a magnitude de ser gente grande.

(Martha Medeiros)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PENSAR É TRANSGREDIR

Queridos seguidores desse refúgio (literário, Let?),
Não sei exatamente o motivo, mas não estou à vontade para pensar e escrever depois dessa tortuosa volta em 3G à rede. Sobretudo "pensar". No últimos dias, isso tem sido meu flagelo. "Vc pensa e questiona muito, minha cara.", dizem.
Intrigante, porque me ensinaram (e hoje também ensino) o pensar, a clara criticidade. É contraditório. Não pensar é a lei! E se pensar, guarde para si.
E viva a estupidez!
Bom, já que não escrevo, alguém tem de fazê-lo:
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Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
(...)
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar. Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
(...)
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
(Lya Luft)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Meu (novo) jardim

Caros amigos e leitores assíduos desde sempre pequeno grande refúgio... Comunico um recesso à forceps, por motivo nobre e muito esperado. Vivo, nos próximos dias, a realização de um grande sonho e até que seja feita a transferência das vias tecnológicas, estarei fora do ar...

Um sonho que se sonha só também pode se tornar realidade e eu sou a prova viva disso! E não há nada nesse mundo que me impedirá de extrair desse momento tudo que mereço

Despeço-me, não sei por quanto tempo, dessas noites em longas teias de palavras e sentimentos. Hoje, parto deixando os senhores com Vander Lee, este que, visceralmente, sabe cantar sua alma. Ele dirá por mim, o que de fato, farei nos próximos dias.
No ensejo, agradeço os comentários, elogios, críticas e acréscimos ao blog. Leiam a sessão "legados", para abrandar essa ausência.

Meu jardim
(Composição: Vander Lee)

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho

Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

everybody hurts - REM

Friends, I'm trying to understand how and why people act sometimes of a thoughtless and selfish way... I came to this song... forgive my bad english.



"When your day is long
And the night - the night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Hang on

Don't let yourself go
'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes

Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (hold on, hold on)
If you feel like letting go (hold on)
If you think you've had too much of this life
To hang on

'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hand, oh no
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
no, no, no, you're not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life, to hang on

Well, everybody hurts
sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
But everybody hurts, sometimes
So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on,
hold on, hold on, hold on

Everybody hurts
You're not alone"


So, I tell to myself "o hold on, hold on, hold on"

Who wishes to listen to, click on it: http://br.youtube.com/watch?v=ioAQTwc8Oas

http://www.orkut.com/FavoriteVideoView.aspx?uid=11093300403486360551&ad=1197547254


aff


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Todo o resto...


"Existe o certo, o errado e todo o resto.” Esta é uma frase dita pelo ator Daniel Oliveira representando Cazuza, em uma conversa com o pai, numa cena que. A meu ver, resume o espírito do filme que este em cartaz ate pouco tempo. Aliás, resume a vida.
Certo e errado são convenções que se confirmam com meia dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir oito horas por dia, lembrar dos aniversários, trabalhar, estudar, casar e ter filhos, certo é morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, repetir de ano, beber demais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede. Todo mundo de acordo?
Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias. E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Desejos, impulsos, fantasias, emoções. Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.
Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Possuímos uma criatividade insuspeita: inventamos músicas, amores e problemas, e somos curiosos, queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram. Todo o resto.
O amor é certo, o ódio é errado, e resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa história, caso viessem a público.
Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos que não obedecemos ou que obedecemos bem demais – a troco de que fomos tão bonzinhos?
Há o certo, o errado e aquilo que nos dá medo, que nos atrai que nos sufoca que nos entorpece.

O certo é ser magro, bonito, rico e educado, o errado é ser gordo, feio, pobre e analfabeto, e o resto nada tem a ver com esses reducionismos: é nossa fome por idéias novas, é nosso rosto que se transforma com o tempo, são nossas cicatrizes de estimação, nossos erros e desilusões.
Todo o resto é muito mais vasto. É nossa porra-louquice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e a inocência que se mantêm vivas dentro de nós, mas que ninguém percebe, só porque crescemos. A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.

MARTHA MEDEIROS