
"Saudade é um pouco como a fome: só passa quando se come a presença."
Senhoras e senhores, com vocês a velha, boa (?) e conhecida saudade...Essa que, para mim, surgiu na maior festa profana da humanidade, há exatos 10 dias, e que não tem prazo para ser assassinada. Quem sabe ao final da quaresma.... E agora José? (Se você gritasse, se você gemesse, se você chorasse, se você morresse, mas você nao morre. Você é duro José!)
A saudade nasce pra morrer. Na verdade ela nasce para ser assassinada. Eis ai um crime que ninguém faz questão de castigar. Ao contrário, o ato de matar a saudade, já é em si um prêmio ao criminoso. Digo, aos criminosos, visto que este é um crime que não se comete sozinho. Há no mínimo um cúmplice, isso quando não é um grupo inteiro a eliminar o sentimento em um grande linchamento cheio de beijos e abraços.
Mas aí eu me pergunto: o que acontece quando a saudade não morre? O que vem depois que ela percebe que o objetivo máximo da sua existência não será alcançado e que ela irá sobreviver muito mais tempo do que seria aceitável para alguém da sua espécie? No que se transforma esse sentimento? Em amargura, desespero, rancor? Quem sabe o que vira uma saudade que não se mata? Ficará ela vagando pelo nosso coração em busca de um lugar para repousar? Ou ela simplesmente se rebela e passa a açoitar o nosso peito com lembranças?
Talvez matar as saudades seja tanto um ato de misericórdia quanto de auto-preservação. Misericórdia por ajudar alguém a ter um descanso pacífico e auto-preservação por garantir que não seremos submetidos à escravidão sob o jugo de um sentimento frustrado.
Reflexões em L.S. Alves


