domingo, 13 de abril de 2008

The final round


Se você perguntar: por onde anda meu coração? te respondo: não sei. Por aí, tão vago. Pelas ruas, pela neblina, pela chuva. Anda meio bambo, meio torto, meio gauche, como sempre foi. Não busca, não procura, não espera - só caminha de acaso a acaso, nessas indoloridades que não matam nem acrescentam. Algumas poucas aspirações, porém nada de novo: são aquelas que sempre existiram e persistem, irracionalmente, a despeito de todo tempo que se passa. Tem sono leve, quase irriquieto. Aquele jeito quase perdido de quem ferra em insônia toda madrugada em pensamentos febris.

Se ele volta? Digo que sim: mas só depois que a saudade se afastar de mim. Só depois que a saudade se afastar de mim.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Cansaço

Sabem, eu estou cansado disto sempre acabar num relicário dos amores inconclusos. Estou cansado de escrever as cartas mais belas que consigo, para não ter para quem enviá-las pelo correio. Estou cansado de cantar as mesmas canções para as paredes quase nuas, coalhadas de nostalgias certeiras nestes dias que começam a esfriar.

Estou cansado da minha falta de timing, ao chegar sempre no momento errado. De encontrar as pessoas completamente dangerizadas pelos relacionamentos passados ou na expectativa irreal pelos relacionamentos futuros. Estou cansado de caminhar de solidão acompanhada em solidão acompanhada, para tudo terminar tão melancolicamente em telefonemas perdidos, desculpas escorregadias e qualquer outro tipo de banalidade cotidiana.

Só sei que não há remédio além da velha tentativa e erro. Só que esse cansaço, que muitos já me disseram chamar realidade, vai desconstruindo lentamente, uma a uma, minhas frívolas ilusões. Será que o destino final é tornar uma daquelas pessoas amargas, que um dia quiseram tudo e foram incapazes de reter coisa alguma por entre os dedos?

domingo, 6 de abril de 2008

Insustentável

Há quase dois anos não escrevo para você. E não escrevi antes porque estava no meu direito da mágoa, do rancor e de ser, só para variar, mais emotivo que racional. Não escrevi porque depois daquele dia em que te liguei e você tergiversou, parecia que tudo havia dissolvido. Tudo que havíamos discutido com tanto esmero e toda identificação pautada em nossos diálogos lentos, sido só superficialidades, dissimulações.

Hoje percebo coisas diferentes. Hoje percebo, dentro de tanta gente que passou em minha vida, foi você quem foi mais fundo. De todas nossas conversas tangentes, sempre tangentes, ficou o meu desenho mais preciso. Navegávamos por entre banalidades e filmes, livros e idéias. Compartilhávamos nossas solidões povoadas, nossas dores sofisticadas pequeno-burguesas, tantos becos sem saída.

Lembrei-me de como me senti tão frágil aos seus pés: com "Os Dragões..." nas mãos, presente de aniversário escolhido a dedo e a cesta de Páscoa mais linda que pude achar. Senti-me como no conto, nos primeiros minutos: com todo um paraíso desenhado, apodrecendo, por um próprio erro de cálculo. Daí abri janelas, me entreguei ao rancor. Troquei "Os Dragões..." pela belicoso livro de memórias de Churchill. Daí, o resto, você até sabe.

e resgato dentro de uma epifania sem propósito definido. Porque tenho gerado isso: reli "A Insustentável...", para te reencontrar inesperadamente em parágrafos e capítulos. Te revi na morte prematura de Heath Ledger, naquele Pinguim que emendou num cinema e um bocado de palavras que finalmente ficaram grifadas. Te revi em García Marquez, lembrando um dos meus aniversários mais doces cravado noutro Carnaval. Te revi quando revi Sofia Coppola. Foi assim que conclui o quanto você ainda fazia parte de mim. Ainda faz. E é bom te ter assim comigo, muito embora você nem desconfie.

E agora, de pazes feitas, te guardo com ternura e afeto. Na gaveta das coisas doces, independente do desfecho. Adultos, um pouco maduros, até melhores. Para zerar contas e aproveitar tudo aquilo que tínhamos de melhor...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Desestrutura total

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "
(Caio Fernando de Abreu)
http://caio-fernando-abreu.blogspot.com/

sexta-feira, 14 de março de 2008

Viva a poesia!

Todo dia é dia de poesia. Em todos os cantos do mundo, em todo os momentos,há alguém evocando sensações, impressões e emoções por meio de sons e ritmos harmônicos.
Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.

Hoje é considerado o Dia Nacional da Poesia pois foi nesta data que nasceu o grande poeta brasileiro Castro Alves. Poeta romântico, Castro Alves morreu de tuberculose na capital baiana Salvador em 06 de julho de 1871, com apenas 24 anos. Ele escreveu poesias importantes como “Navio Negreiro” e, não à toa, ficou conhecido como poeta dos escravos. Por ser um dos grandes expoentes da poesia romântica no Brasil é que Castro Alves é homenageado até hoje.

A poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.
Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo-grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”. Geralmente a expressão “poesia” se aplica à estrutura de texto em versos. Os versos são as “linhas” do poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Nessa espera

Todo dia é só mais um dia
Se é longe de você
Todo tempo é só essa espera
Se eu não puder te ver

Mas se é pra te ver chorar
Nem pensar
Melhor deixar pra lá
Mas se é pra te ver chorar
Nem pensar
Melhor sentir saudades e deixar
O tempo consertar
O que der pra consertar
Do que ainda resta de nós.

O que há de ser será, qualquer dia
Mas o que haverá de ser
Nem a brisa vem soprar nessa espera
Tudo espera por você

Deixa a chuva desabar, nessa espera
Deixa a mágoa desmanchar, nessa espera
Deixa a água carregar, nessa espera
Toda a raiva que restar, nessa espera.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência.
Pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência