quinta-feira, 11 de julho de 2013

Céu Negro

Quando há tantas coisas a serem sentidas e não ditas, escrever torna-se uma saga torturante.. De fato, "a vida sem música seria um erro", tomam pra si tudo aquilo que somos ou gostaríamos de ser. Faz diálogos com a com a alma com uma sutileza punica. Nessa peleja da falta de palavra com a música, sou salva por Chico César... roubou-me pra si nessa linda canção (será que você gosta dessa? Acho que sim). Tomara que você alcance esse post... É tudo que posso dizer.

Céu negro
Com arco-íris de néon
Céu negro
Se chover é bom

Eu queria
Eu faria amor com você
Até a cerveja acabar
E alguém sair pra comprar

Eu queria
Eu faria amor com você
Até o gás acabar
Até morrer


quinta-feira, 14 de março de 2013


"Ela é solteira. Não sozinha. Ela pinta as unhas de vermelho quando quer. Mas, também, sabe deixar as unhas em cacos quando dá vontade. Esbanja esquisitices ao falar dos seriados prediletos. E se cala quando o assunto é sobre o porquê dela não ter namorado. 

Ela usa vestidos de tricô, daqueles clichês para tomar chá quando o tempo é frio. E bebe cervejas em canecas, como homens pré-históricos. Ela ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também, se derrete mais do que picolé em frigideira quando recebe um SMS romântico de madrugada. Mas por que não namora? 

Ela acorda, escova os dentes de quem já usou aparelho, toma chocolate quente, se arruma e vai trabalhar. Prefere usar preto. Mas desbanca qualquer havaiana bonita quando inova em alguma vestimenta cheia de flores coloridas. Ela é linda e desconversa. Fala do tempo, do futebol, da novela, da mãe, da crise do Paraguai e do Joseph Gordon-Levitt. Mas por que tu não namoras?

Quando o assunto é sexo, ela fala menos do que escuta. Escuta com os ouvidos, com os olhos, com a boca e com os pêlos da coxa. Transa menos do que deseja. E sabe esconder alguma aspirante a Sônia Braga dentro daquele decote comportado. Ela curte os Beatles, os Novos Baianos, Caetano e o Cícero. E fala que eu tenho péssimo tom de voz. Lê Caio, Keroauc, Fante e Gabito. Mas diz que, também, gosta das minhas histórias.

É estranha, também. Assumo. Corta o cabelo de acordo com as fases da lua e gosta de comer macarrão com feijão. Gosta de umas bandas que ninguém conhece e chora com as histórias do Nicholas Sparks. Liga o ar condicionado porque gosta de dormir sentindo frio e acaba repousando feito uma esquimó com meias e edredom. Uma linda esquimó, por sinal. Não sabe usar o celular. Costuma atender as ligações somente após a quarta tentativa de chamada. Não, ela não ignora. Ela perde tempo é procurando o celular na bolsa, debaixo da cama ou na pia do banheiro. Mas, vez em quando, ela sabe ignorar também. Não sabe dançar. Recusa os convites, mas adora ser convidada. Odeia batom e gosta de brincos de pena.

Mas por que ninguém conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que você ergueu no teu peito? Ela desconversa. Ri de canto de boca e me pergunta se eu fumo tentando desviar o assunto pra longe. Eu insisto. Falo coisas demodês e jogo no ar o fato de que eu a acho perfeita. Ela empina o nariz fino, me lança seus olhos verdes escuro e ajeita-se sobre a mesa. Muda o tom e me fala: “Porque eu não quero”. E eu rio sem graça da minha maldita ideia de achar que todo mundo quer ter alguém para dividir os brownies."

Hugo Rodrigues

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O futuro da educação do MA a passos de tartaruga


Quem teve a infelicidade de se inscrever no programa “Aula do futuro”, do Governo do Estado do MA e participou nos últimos dois dias da (in) capacitação pelos diversos pólos, observou claramente os novos moldes do tele-ensino, porém agora com a internet, nas interações virtuais e nas videoconferências e plataformas.

Mais de 3 milhoes de reais(?)  investidos em tecnologia (?) para  enrolar a sociedade, os alunos e humilhar os professores com míseros 580 reais, com data de pagamento a perder de vista.

Segundo os supervisores, a rapidez em desengavetar o programa, que já nem sairia esse ano, foram os péssimos números do Maranhão no ENEM. Desse modo o objetivo precípuo do programa é promover o reforço escolar para o próximo exame nacional agendado (pasmem!) para o próximo dia 22.10.

Foi claramente exposto, ainda, que todo o grupo de educadores envolvidos, divididos em supervisores, monitores e tutores, terá responsabilidade direta sobre os próximos resultados, haja vista todo comprometimento do governo em tentar sanar esse quadro.

Sem desmerecer a importância de um programa nesses moldes com o valioso auxílio da tecnologia, mas é preciso fazer uma melhor radiografia dessa realidade que os compêndios da SEDUC e os discursos de muitos supervisores naturalmente não contemplam e cujos resultados certamente serão usados contra os professores da rede estadual de ensino.

Considero desrespeitosa a tentativa de convencer os professores que, sem nenhuma formação tecnológica específica e de muitos lados com deficiência pedagógica para o uso das ferramentas, sem falar na estrutura das salas de aula, tem condições de elevar sejam lá que índices educacionais em menos de um mês, rompendo, assim, com anos de atraso.

Além disso, toda vez que alguém pensar que as interações virtuais podem substituir ou sanar os contatos presenciais e a troca de informações proporcionadas pelo calor humano e, nesse caso, interação professor-aluno, vai cometer o absurdo de NÃO oferecer aos educandos a principal fonte de construção e distribuição do conhecimento, que acontece, sobretudo, nas relações humanas fatalmente enriquecidas em seus debates. Sem contar que o sistema envolvido no programa tem constantes falhas técnicas de áudio, vídeo e demais recursos auxiliares.

Ideias como essa poderiam ser verdadeiramente aproveitadas e eficientes se aplicadas com responsabilidade e planejamento de forma processual e permanente no Ensino Fundamental II (de 6º ao 9º ano) para amadurecimento dos alunos, sobretudo em competência leitora, escrita e matemática, deficiências que se estendem a outras áreas do conhecimento. 

Atrelados a isso, formação para as mídias da educação e as mídias sociais já que o programa só alcança quem as domina, caso da minoria de professores e alunos, preparando-os, de fato, para o uso das linguagens, códigos e suas tecnologias.

Nesse momento, para o 3ª série do Ensino Médio há menos um mês do Exame Nacional, teremos um belo e frustrante experimento e uma excelente justificativa para gastos com educação que todos sabemos para onde devem ir. Alunos poucos que tentarão num suspiro recuperar tanto abandono ao longo de toda sua vida escolar. Professores mal remunerados que certamente abandonaram o processo no meio do caminho ou que armados de comprometimento vão desligar toda a tecnologia com suas constantes falhas, e farão o que sabem fazer e que, bem ou mal, ainda arquiteta como formiguinhas, algum tipo de criticidade na cabecinha dos seus alunos.

Qualquer um de nós que pensou ingressar nesse programa, há, naturalmente, necessidade financeira e talvez necessidades outras atreladas a essa nova perspectiva educacional que querem nos enganar q temos por aqui. Contudo, aos bravos professores que irão em frente, desejo sorte e peço que sejam francos com os alunos e responsáveis com sua condição profissional, afim de não compactuar mais ainda  com essa farsa que muito menos tem de boas intenções e muito mais de aproveitamento político. 

Eu, por minha vez não resisti à (de)formação, que esperava ser técnica e específica, vim pra casa, chateada e pensando que isso é muito mais do que posso aguentar. E certa que o futuro ainda não está por vir...

domingo, 18 de setembro de 2011

Remédio dominical

Passando por este abandonado espaço depois de um reencontro com Angélica, composta por Chico nos anos 70, em parceria com Miltinho (do MPB-4), em tributo à estilista, morta em circunstâncias misteriosas depois de enfrentar o governo militar para encontrar o corpo de seu filho, Stuart Angel, assassinado pela ditadura. Especialmente a versão regravada para o filme Zuzu Angel.

E esse reencontro me transportou a um domingo reflexivo e melancólico em que se costuma repensar a própria vida e nas escolhas que tem sido feitas e em outras que não partiram de escolhas conscientes, mas de circunstâncias...
Daí à frente este dia foi dedicado a tentar entender como é imensurável nossa capacidade de doação sejam lá os motivos que tenhamos.... E como são incalculáveis nossas perdas quando essa doação vem atrelada a um sonho de uma possível contrapartida.
Sem que tenha partido de uma escolha consciente, neste dia meus pensamentos, minha admiraçao, minha comiseração, meu carinho, meu instinto protetor e materno, minha necessidade de encontrar caminhos e respostas e todos os outros sentimentos que moram em mim e que são essencialmente humanos foram involutariamente de uma única pessoa.
Um ser humano de muitos sentimentos e que tive o (des) prazer de conhecer muitos deles... E por isso me cerca uma montanha-russa de emoções que repelem ou atraem de forma quase esquisofrênica...
E isso é intrigante pq nos dois casos só uma vontade me domina: incorporar um tanto essa Angélica do Chico... mas numa ridícula paráfrase eu questionaria não a mulher, mas o homem...
"Quem é esse homem
Que canta sempre esse estribilho?
Quem é esse homem
Que canta sempre esse lamento?
Quem é esse homem
Que canta sempre o mesmo arranjo?"
Com o coração em frangalhos e completa impotência... volta a Angélica com a única coisa que realmente desejei neste dia:
"Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar"

Indiferentes a toda essa escuridão, muitos seguem e julgam ser a omissão o tão cobiçado caminho da felicidade.

sábado, 14 de maio de 2011

Jacqueline

Por mais que os gritos pareçam inúteis,sempre alguém os ouve, faz eco e nos surpreende.... Homenagem de um aluno querido a essa luta que por si só já é honrosa. Obrigada Luka...

Jacqueline, Jacqueline
Quantas guerras você luta?
Jacqueline, Jacqueline
Quer ajuda?

Jacqueline, Jacqueline
Você anda tão cansada
Jacqueline, Jacqueline
Vá para casa...

Como é Jacqueline?
Brigar com quem nem liga
Para si e para os outros
Jacqueline, Jacqueline
Que sufoco!

Quando será?
Que você vai se deitar
E pegar cedo no sono
Quando será?
Que alguém vai lhe amar
De uma forma justa e boa
Quando será?
Que você vai sentir-se beijada
Muito além da sua boca

Quando será?
Que alguém descobrirá
Que sua alma é tão bonita
Quanto às curvas sinuosas
De seu corpo jovem e solto
Quando, quando será?
Que você vai batalhar
Por alguém que valha a pena

Ouvi dizer por aí
Que os professores
Estão capitulando
Recuando de mãos vazias
Jacqueline, Jacqueline
Que agonia

Por que Jacqueline?
Tanto conflito
Em você mesma
Eu sei que ser sozinho-acompanhado
Deve ser dureza

Que tal
Pensar em nada
Por hoje
Chegar à varanda
Abrir as cortinas
Cabelos soltos
E quedar-se
Vendo algum outro
Instante fugaz
De realidade

O mundo é pesado
Para todos
E se seu rosto anda marcado
Com olheiras
Você mesma
Grita por si
Sua mente
É guerreira
Contudo
Seu corpo
É de osso
Carne
E canseira
Como qualquer outro corpo daqui

Desejo-lhe a paz
Em todos os idiomas
Que você saiba
Desejo-lhe o amor
Em todas as cores
Que lhe caibam
Desejo-lhe saúde
Por que atitude
Você já tem

Desejo-lhe o bem
Por que justiça, logo vem
Desejo-lhe manhãs de sol
E de chuvas também
Desejo-lhe rotina
E viagens pelo mundo
Desejo-lhe tudo
Que não seja indecoroso
Desejo-lhe qualquer coisa
Que a faça feliz
E depois de rir, desejo-lhe bis
Por que seu riso é bonito
Desejo-lhe o simples e incrível

Jacqueline, Jacqueline
Quantas guerras você luta?
Jacqueline, Jacqueline
Quer ajuda?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Retrato da total falta de inspiração... Culpa dos tecnicismos docentes. Ainda bem que Ela existe: a minha Clarice.

"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras - quais? Talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no fundo do poço."

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A seleção e o ditador.

Brasil disputou as Copas de 34, 38, 66, 70, 74, 78 e 82 sob coturnos.

Ora Getúlio, ora generais.

Ganhou apenas em 1970.

Silenciosamente.

Os gols de uma geração genial calando os gritos do porão.

Perdeu em todas as outras.

Durante os anos de chumbo.

O futebol brasileiro foi visitado pela Inglaterra e pela Rainha.

Pelos alemães com seu Kaiser.

Países democratas.

Os quais pouco se importavam das torturas e censuras nacionais.

O importante era a bola e as chuteiras imortais.

Hoje, o Brasil deu o troco.

Por alguns milhões de euros.

O Brasil referendou uma ditadura corrupta.

Um país que se libertou do chão miserável do apartheid.

E foi tungado por seu libertador.

Um economista marxista que manda calar quem discorda de suas palavras.

Um ditador que se tatuou no poder desde 1980.

Pois é.

A seleção se locupletou no país da AIDS.

O verde-amarelo desfilou na terra da fome.

A CBF desceu ao último degrau da democracia.

2 de junho de 2010.

O dia infame da seleção brasileira e do ditador...

Roberto Vieira


sexta-feira, 11 de junho de 2010

O início, o meio e o fim

Sem mais delongas e justificativas de afastamento, venho hoje, depois de uma breve, porém curiosa conversa (pasme!) no trabalho. Uma colega, igualmente professora, casada, narrando uma reportagem de capa que lera na Revista SUPER-Edição 278.

Curiosa que sou, claro, fui checar (as ediçoes anteriores são abertas na rede, caríssimos seguidores) E advinha? Uma não tão breve abordagem sobre os mecanismos do AMOR didaticamente dividido: Amor-o início; Amor-o meio; Amor-o fim. rs

Piegas? Talvez não. A mim parece mais uma tentativa de explicar o que é tão cotidianamente claro, mas que escolhemos não entender. Rejeitamos a condição cíclica e circunstancial da vida e preferimos idealizar o que nossa natureza, nossa condição antropológica não queria (e não quer!): O mito romântico de amor eterno. Ainda assim, idealizamos a família do comercial de margarina e o "para-sempre-incondicional" dos enlatados americanos.
Nem tão piegas assim, mas repetitivo tentar, com a ciência (por merecedora de crédito), nos fazer entender o início, o meio e o fim, tecnicamente traduzidos em o paraíso, a calmaria e o inferno.
Apesar de interessante, nenhuma novidade. Classificam a condição afetiva, dessa vez, cientificamente. No geral, avalia os casais como backups evolutivos, com meras necessidades de sobrevivencia e reprodução e que os relacionamentos apenas fazem parte disso tudo.

Tão mais simples seria se nao fossemos bombardeados de termos excessivamente valorativos e charlatãs relacionados ao amor, tais como "grande", "eterno", "belo", "maravilhoso". Como seria simples se nos nossos maiores delírios conseguissemos trocar por "real", "audacioso", "conflitante", "prazeroso-e-infernal". Pode não ser tão doce, mas ao menos saberíamos o que encontrar e que caminho seguir. Olharíamos as pessoas como realmente são e o para-sempre seria o que de fato é: apenas consigo mesmo. Defendo a condição clícica e circuntancial do amor porque com todo o resto é assim. Pq nesse ponto haveria de ser diferente?

Creio que a reportagem tende a ser muito mais informativa que esclarecedora de sentimentos humanos ou do que nos move a certas escolhas. Peca por omissão. Não somos apenas backups evolutivos/reprodutivos. Esqueceram de dizer, na ediçao em discussão, que o início, meio e fim.. fazem parte do "tudo" que sempre chega e que por isso vai, porque essa é a lei. Amores acabam porque cumpriram o seu ciclo. Ponto. E porque, certamente, outro recomeçará (Isso sim é piegas!). Regrinha ilustrada em belos versos do Zeca Baleiro:


"Não fui eu nem Deus, não foi você, nem foi ninguém
Tudo que se ganha nessa vida é pra perder
Tem que acontecer, tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim.
Se ninguém tem culpa, nao se tem condenação
Se o que ficou do grande amor é solidão
Se um vai perder, outro vai ganhar
É assim que e vejo a vida e ninguém vai mudar"


Apesar de tudo, a reportagem esclarece pontos interssantes ou pelo menos tenta justificar nossos comportamentos afetivos. Acredito que qualquer coisa q nos ajude a entender, não o amor, mas a nós mesmos, vale a pena ser lido. E como sou boazinha. Deixo os links para quem quiser saber:

1. o que te faz contar os segundos para estar com o(a) amado(a) - o início
2. mesmo que a paixão tenha diminuído (ou acabado) o que (ainda) te faz olhar pra ele(a) com um doce sorriso amarelo - o meio
3. a explicação para aquela vontade de esganar o namorado ou marido..rs - o fim

sábado, 3 de abril de 2010

Retorno

Amigos,
Tolerância com essa blogueira afamada... (mal?) Tentando alcançar a unimultiplicidade, assoberbada de trabalho em 3 turnos.. tentando esticar os dias. Inspiração foi minada. Deve passar logo, logo... Exaustão faz isso...mas ainda temos chance. Em breve estarei por aqui tentando refletir sobre essa coisa que me assola a alma.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Desencontrários

Tentando fazer referência à madrugada belicosa... lutei com palavras! Perdi.
Drummond registra que "Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã". E eu rompi a madrugada "correndo com a palavra na mão" atropelada e equivocada. Lamentei! Uma luta vã, deveras. As palavras, intempestivas, se mostraram indiferentes aos meus apelos. Saltaram, simplesmente. Eu, como Leminski, me senti impotente diante delas:

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Na ciranda confusa de palavras e sentimentos devo dizer que sim... isso é, verdadeiramente, um pedido de desculpas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sobre fazer 31 anos

Deus tem me ensinado que não vale a pena perder a grande oportunidade de agrader pelo único e verdadeiro tesouro que ele nos concede: A VIDA.
Fazer 31 anos não é tão emblemático quanto fazer 30, mas a sequência dos aniversários anteriores me permite dizer que passei pelo melhor dos útlimos anos. O acúmulo de vitórias profissionais e pessoais embalam essa data e me desperta vontade de partilhar com meus seguidores. Comemorei liberdades, perdões, amizades, meu reecontro com Deus. Aos 31 anos posso me orgulhar do caminho que venho trilhando, da pessoa que sou, da família (Buscapé) que possuo, dos amigos que fiz e das histórias que vivi. Então, no último dia 10, reuni um grande grupo de pessoas que considero importantes e celebrei tudo de precioso que meu Deus me tem permitido experimentar. Senti, naturalmente, a ausência de algumas pessoas que o tempo levou de mim e de outras que por um motivo ou outro não puderam aparecer. Contudo, estavam comigo como todos os outros.
Não trabalhei direito por dois dias em revezamento de festas pelas salas de aula por onde passei: o carinho dos meus alunos é compensador e dá sentido a quase tudo no trabalho que faço.
Aniversário em tempos de orkut e de outras mídias eletrônicas facilita o encontro de amigos e parentes distantes e muda a forma de convite: econômica, rápida e eficiente. Pessoas dos mais diversos departamentos da minha vida, alguns que conheço há quase 15 anos, outros conheci ali. Completamente perdida tentando dar atenção a todos sem, obviamente, conseguir. Tivemos uma festa alegre, em suma. E posso dizer com certeza o quanto sou feliz e realizada. E que absolutamente tudo tem valido a pena, sobretudo o que nos últimos anos julguei (estupidamente) nao valer.
No mais... deixo Affonso Romano de Sant'Anna discorrer sobre a doce e sagrada liberdade que existe nas mulheres de 30...

"Fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
(...)
Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar....
(...)
Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é paSobressar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar."





sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Desafinados

"Escrever não é perturbador. É tão bom que dá medo. E o que é bom nos ampara e nos consola." Adélia Prado tem razão a esse respeito. Contudo, nesse mundo das palavras, perturbadora é a confusão terminológica que advém de sentimentos que se fundem e cuja legitimidade não pode ser questionada: amor e amizade.
Frequentamos pessoas que nos agradam, é fato, mas nos tornamos amigos dos que se afinam conosco. Porém, quando desafinamos... Aí vem João Gilberto: Isso em mim provoca imensa dor... Só privilegiados tem ouvido igual ao seu. Eu possuo apenas o que Deus me deu.
Nem sei se preciso dizer aqui que desafinar é sinônimo de discordar. Mas isso é amizade, isso é muito natural. O que muitos não sabem nem sequer pressentem é que os desafinados também tem boa intenção... Somos quem podemos ser (agora Engenheiros).
Finalmente, manter por perto o Riobaldo é via certa para tentar aceitar e entender quando as pessoas desafinam. E enfim, (maldita?) a literatura.

“O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão.” (ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 21.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Olá, amigos e seguidores...(oh.. qto tempo, sim!)
Em férias e retomando minha experiência antropológica de categorizar os tipos humanos (claro que me incluo, antes que digam), trago a vocês, que preferem minhas linhas às de Paulo Coelho (será que mereço??), um dos melhores pontos de observação de tipos comuns ao mundo narcisista (perde apenas para o carnaval): as academias. Se voltei? Claro que sim, porém entre uma contagem e outra de séries, abdominais e flexões, me deparo com tipos que encontramos fácil, fácil em qualquer ambiente desse (nada almejado-rs) mundo fitness. "Prestenção":

1. A patricinha fitness -Em cada academia cruzamos pelo menos com uma: garota rica e bem nascida, com genes que contibuem sobremaneira para sua ótima forma física e que frequenta o lugarzinho (que tem cada vez menos pessoas, digamos, com sobrepeso) só pra manter o status. Afinal, patricinha da gema jamais poderá deixar de frenquentar a academia. É exigência do grupo ou tem sua carteirinha apreendida. Deve ir nem que seja só pra fazer figuração. Chega sempre com roupas de ginásticas que lembram as paquitas - nova geração, estalando de novas e combinando com o cadarço do tênis e falando ao celular (lógico, pois é chique e tem uma atribulada agenda que a recorda das sessões diárias de drenagem linfática, banhos de lama e um botox de vez em quando, além de peeling, que tá na moda), cabelo impecável numa escova de chocolate suíço com avelãs descascadas por virgens camponesas, desfilando para lá e para cá, saudando com aquele sorriso amarelo e cara de nojo algum plebeu com quem ela decidiu falar. Prender o cabelo nem pensar, porque marca e isso é coisa de classe média. Dá uma puxadinha básica nos ferros só para cumprir o ritual, cuidando para não suar, pois suor é coisa de proletário. No fim das séries (ãnh) ela sai de lá, linda e loira como entrou, sem uma gota de suor e um fio de cabelo fora do lugar.

2. O bombado narcisista - Talvez seja o mais comum. Aquele que a gente olha e tem vontade de perguntar "Quer que eu te deixe a sós com o espelho?" Sim, pois olha a si mesmo com tanta admiração, medindo os ganhos milimétricos de músculos de penúltima série de exercícios para a última, que beira o assédio sexual. Fica parado frente ao espelho, olha-se inteiro e confere o abdominal sarado, dobra o tronco de um lado pro outro para forçar o tanquinho e contrai os braços para o tríceps saltar. Hoje, errei minha contagem de "gluteo coice" pra tentar ouvir nitidamente se ele dizia a si mesmo: "Oi, vc vem sempre aqui?"

3. O lutador de espelhos -Esse é o mais cômico. É aquele cara que, mesmo sem nunca ter feito uma aula de boxe na vida (e algo me diz que é o caso da maioria), adora ficar parado na frente do espelho entre uma série e outra dando socos no ar, ganchos de direita, ganchos de esquerda, cruzados e et cetera, no melhor estilo Rocky Balboa. Eu fico olhando e tentando adivinhar o tipo de droga que a mãe usou quando estava grávida.

4. O instrutor tarado - Não é regra, mas existe... Solícito, te carrega os pesos e alonga vc no chão pra deixar o cotolevo escorregar na... enfim, pergunta se dói quando toca na sua perna para "ajudar" a levantar o peso e a-do-ra e te ajudar nos exercícios de bumbum. Fica beeeem atras pra não deixar sua perninha desviar do lugarizinho que faz a paixao nacional crescer um pouco.

5. O scanner humano - Não é muito comum, infelizmente, mas serve pra nos alertar que em alguns lugares nao devemos passar mais que uma hora, pela preservação da nossa dignidade mental...rs. É o tipo que deixa de perder peso para perder tempo analisando categorias que nem merecem tanta atenção assim. Porém, alguma coisa tem de se fazer num lugar como esse, tão repleto das diversas facetas que é capaz de ter o bicho-homem.


P.S. Eu sou o tipo 5.. só pra constar. Vai que tem algum leitor desavisado, aqui...!
Até o próximo devaneio

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Penso, blogo, existo

Eis-me aqui em mais uma noite insone. Trabalhando à exaustão, maracu(g)inas à parte... parando para narrar um fato inusitado: Trata-se de um e-mail que recebi de certa leitora que não está nos meus registros de contato e, nesse caso, presumo que acompanhe esses delírios pela página oficial.

Nas densas linhas em html vi a moça em questão relatar o fim do seu amor, bem como da dor que estava sentindo (logo próximo ao dia dos namorados- hum). Bom, o fato é que, veemente, solicita que eu escreva algo que a conforte. Que a partir de minhas palavras, decifre seus sentimentos, como e pq se sente assim... Talvez, por defesa em causa própria eu até tenha o que dizer (e quem nesse mundo não tem?), mas não é isso que interessa hoje..

Esse pedido é intrigante, mas é tambem engraçado simplesmente porque não sou escritora, nem pretendo, mas de alguma forma estou amarrada a isto aqui. Quem sabe não é essa a razão pela qual vivo justificando minhas ausências.

Esse diário virtual começou há uns dois anos, salvo engano, e nasceu de uma necessidade básica e imediata de lançar como dardo algumas palavras, explicações e pensamentos infundados. Contudo, percebi, ao longo do tempo, como eram indignas de minha presença e mais ainda de minhas palavras, as pessoas que até então eram meu alvo. Assim, decidi dizer, apenas, pois escrever ajuda a organizar as idéias, a entender algumas coisas. Além do que, nos liberta, nos alivia é como um desabafo que se dilui sob o manto das palavras, sejam elas coerentes ou não.

Não importa quem vai ler ou se vão entender. Ler confere menor responsabilidade e é mais confortável, é bem verdade. Mas escrever, diria Adélia Prado, “Escrever não é perturbador. É tão bom que dá medo. E o que é bom nos ampara e consola." Porém, nada disso faz de mim uma escritora e muitos dos textos que publico sequer são meus ( mas dou os devidos créditos). Apesar disso, cativei, de alguma forma, algumas pessoas. Vai ver porque falo de coisas que são universais, embora nem sempre compreendidas.

A internet, é verdade, toma muito do meu tempo, tanto quanto meu trabalho e meus livros. Por essas e por outras ando excluindo algumas ferramentas que considero inúteis, repetitivas e, sobretudo, sem conteúdo como o twitter, mais recentemente: outra ferramenta em que se vende a falsa ilusão de um cotidiano perfeito, da felicidade vendida em fórmulas ou a família do comercial de margarina. Enfim, necessidade de viver de aparências, receio de dizer "tem uma nuvem negra aqui também", porque todos temos.
Mantenho esse blog por algumas circunstâncias, uma delas é a possibilidade de manter o pé na realidade.
A leitora em questão, talvez pela intensidade do que sente, esqueceu o protocolo do sorriso amarelo e expos sua nuvem, seu dia nublado em minha caixa de e-mail e são pessoas assim que me fazem ficar por aqui, nesse blog... Não porque exijam de mim frequência em palavras, mas porque como eu, gostam de escancarar o que sentem... E querem entender o que sentem e também querem resolver o que sentem. E não há problema nisso! Problema, isso sim, são as compensações. A dor do amor quase nunca se satisfaz com compensações, só camuflam. É preciso sentir essa dor, viver esse luto... Não se pode saber o que ronda a alma do outro.

Escrever como me sinto é tudo que faço aqui. Nunca soube ao certo as pessoas que recebem meus textos, pois envio para todos que cá estão no thunder, para outros que discutem o que foi escrito. Sei que são muitos, mais ainda os anônimos do diário, mesmo assim, não sou escritora, nem consigo resolver problemas de ninguém com minhas palavras. Quizá nem os meus próprios!

Sou apenas um trampolim de sentimentos, que fica a 16º no quarto, com uma tela de 8,9" e conexão que testa a capacidade cardíaca, embora eu viva tentando deixar de ser tão superlativa para assumir uma postura mais blasé diante da vida. Isto porque (IN) felizmente nasci para racionalizar e fracionar as emoções e quem sabe eu até goste desse baticum eterno no meu coração. Eu nao tenho opçao, foi a intensidade que me escolheu. Uma alma rebelde a contenções mora em mim e não tenho poder algum sobre ela...

Penso, blogo, existo. Todavia, meu amigos, quero estar livre para ir embora, quando desejar ou quando nada mais tiver a dizer!

domingo, 31 de maio de 2009

Interrompendo as buscas

A crônica de hoje é providencial e corresponde à noite que tive... Não, não vem ao caso os episódios.
O filme abordado abaixo é, sem sombra de dúvidas, o meu preferido nesse universo aqui tão discutido, por ser honesto, real e nao apelar para a banalidade...

Quero aproveitar e dedicar esse texto para meu amigo Aquiles (tão especial quanto o guerreiro de Tróia), que jamais entendeu minha reflexão superlativa acerca desse filme. Mas é por isso, Quilo... só por isso...
Cheiro no olho pra ele... e um abraço para todos.
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ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é.
(...)
Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo
(...)
Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. (...) Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento.

Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso.

Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

Martha Medeiros

domingo, 24 de maio de 2009

Obrigado por insistir


Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”

“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Martha Medeiros

terça-feira, 19 de maio de 2009

Saudades de mim...


Tive um doce reencontro com essa fotografia: Exatamente 28 anos atras... (Opa..!)
E desde que revi essa imagem, iniciou-se um processo de autoenamoramento, de nostalgia...
Cabelos arrumados em lateral, olhar suave. ombros caídos enfatizando um ar de desproteção. Em que momento da vida perdemos essa forma de olhar? Acho que Quintana explica melhor:

Mario Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca!



domingo, 10 de maio de 2009

O inominável


O que fazer quando somos intimados (cotidianamente!) a presenciar e deglutir secamente tudo aquilo que mais se ojerizamos. Tudo aquilo que, outrora, com toda civilizade, respeitamos e aceitamos. Você sai de cena e deixa o palco para novos protagonistas. Entende-se consigo mesmo e com o mundo. Respeita suas próprias dores, bem como a felicidade dos que pediram pra executar o próximo ato. Os anos passam e alguem decide que nada disso foi suficiente e as cortinas do passado se reabrem: é o próximo ato.
O que vem com ele? E não estivermos prontos? Que diálogos devem ser travados? O que, afinal, esperam de nós?
Até que a cortina outra vez se feche, os atos seguem-se um após o outro, no improviso, sem que consigamos mudar o roteiro ou sem poder cortas as cenas.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nessa espera...

Olá seguidores,

Os últimos dias me renderiam best-sellers, caso resolvesse publicar...
São duas da manhã, tenho muito a declarar, mas amanhã meus alunos me esperam com sorriso e expectativa. Vai ficando para a próxima.
Especialmente para um seguidor do Canadá, que a brisa veio soprar aqui em blogueiros do Brasil, deixo Leoni (pecou em muitas canções, mas nessa ele acertou em cheio)...
Cativei, agora sou responsável.
Lung, esse vai pra vc... (e, involuntariamente, para mim...rs)

Nessa espera (Leoni)

Todo dia é só mais um dia
Se é longe de você
Todo tempo é só essa espera
Se eu não puder te ver

Mas se é pra te ver chorar
Nem pensar
Melhor deixar pra lá
Mas se é pra te ver chorar
Nem pensar
Melhor sentir saudades e deixar
O tempo consertar
O que der pra consertar
Do que ainda resta de nós.

O que há de ser será, qualquer dia
Mas o que haverá de ser
Nem a brisa vem soprar nessa espera
Tudo espera por você

Deixa a chuva desabar, nessa espera
Deixa a mágoa desmanchar, nessa espera
Deixa a água carregar, nessa espera
Toda a raiva que restar, nessa espera.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Woman....

Se eu pudesse dar nome a este dia, chamaria de turbulência. Dias como esses afloram meu lado mais obscuro,com o qual não sei lidar... Obscura para mim, hoje, é a saudade irritante que senti de um amigo que partiu há pouco mais de um ano. Eu não me despedi de vc, Demo e desconfio que essa dor me acompanhará até meu desfecho. É uma dívida impagável.
Ele me fazia ter paciência com os estúpidos... E me fazia sentir como um deles. Isso era mais intrigante. Dizia que eu era desastrada, e em seguida descrevia o quão charmosa eu era, exatamente por isso. Sabia o qto me incomoda parecer ridícula.
Adorávamos ouvir John Lennon e sempre que eu reclamava de falta de atenção e carinho.. ele cantava "Woman", rindo de mim. Saudades do teu sarcasmo, outrora ojerizado.

Woman please let me explain
I never meant to cause you sorrow or pain
So let me tell you again and again and again

I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah
Now and forever
I love you, yeah, yeah

Bom, enquanto escrevo este post, ouço a trilha e aos que me conhecem sabem que agora vou precisar parar de escrever para nao danificar o teclado com água e sal. ( e tb pq isso está completamente desconexo)
Para ouvir no youtube...
Quem, alem de ouvir, quiser cantar...
Para os desprovidos...

Demo, I love you now and forever