"Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!
Sem reticências...
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem aqui nem Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.
E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro."
quarta-feira, 16 de abril de 2008
A PONTUAÇÃO AMOROSA...
RELATO DE UM HOMEM
"Tudo bem... queremos meninas legais, sexy, saradas, bonitas, inteligentes e boazinhas... Muito FÁCIL falar, pois quando aparece uma assim, de bandeja, a primeira coisa que a gente pensa é: Oba, me dei bem! Ficamos com elas uma vez, duas. Começamos a pensar que essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras. Se sair um relacionamento, vai ser uma relação estável. Você vai buscá-la na faculdade, vocês vão ao cinema, num barzinho, vai ter sexo toda semana...Tudo básico, até virar uma rotina sem graça...Você vai olhar os caras bem vestidos e bem humorados indo pra noite arrasar com a mulherada e vai morrer de inveja. Vai sentir falta de dar aquelas cantadas infalíveis na noite, falta de dar umas olhadas pra uma gata, ou de dar aquela dançadinha mais provocativa na pista...
Você pensa: acho que não estou pronto pra isto, pra me enclausurar pro resto da vida nesse relacionamento. E a boa menina se transforma numa MALA, e aos poucos vai surgindo um nojo dela, uma aversão. Quando você vê o nome dela no celular não dá vontade de atender... JÁ ERA! Daí aquela promessa de vida estável vai por água abaixo, se a menina não se dá conta, a gente começa a ser muito grosso. E a pobre da menina pensa: o que eu fiz?? Coitada, ela não fez nada. A culpa é sua mesmo...
Aí, a gente volta pra nossa vidinha, que a gente odiava até semanas atrás. A gente não vê a hora de sair e arrasar na noite... ou pegar aquela mulher gostosona que sempre quisemos.GRANDE DESILUSÂO!Você chega em casa depois da balada, sozinho e fica tentando descobrir porque você não está satisfeito. De repente foi porque a menina da night, a linda, gostosa, misteriosa, ficou contigo, mas nem sequer pediu o número do teu telefone. FRUSTAÇÃO.
Daí, por mais que não queira, você pensa na sua menina boazinha que você deixou pra trás... ela podia ter seus defeitos mas era uma menina legal... que ficaria ao seu lado te dando valor...Enquanto isso a boa menina, chateda, lesada, custa a entender o que ela fez pra ter te afastado dela... Daí essa dúvida vira ANGÚSTIA, que vira raiva. Daí a menina manda tudo pra PU_ _ QUE PARIU !!! Não quer mais saber de nada, só de sair, zuar e beijar outros caras! Resolve não se envolver mais pra não sair lesada ou chateada...
Muito bem, acabamos de criar uma MONSTRA...O tempo passa e a gente continua na mesma. Volta a reclamar da vida e das mulheres. Elas só querem as coisas com homens cachorros e não estão nem ai pra nós... ou será que nós é que fomos os cachorros??Elas estão assim por culpa nossa. A mulher da night de hoje era a boa menina de outro homem ontem, e assim sucessivamente... Provavelmente, essa nossa ex-boa menina deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí...
E eu a perdi para sempre, ela virou uma mulher enlouquecedora e a encontrei na balada e ela? Nem olhou pra mim (mas estava mais linda do que nunca)!!!"
domingo, 13 de abril de 2008
The final round
Se ele volta? Digo que sim: mas só depois que a saudade se afastar de mim. Só depois que a saudade se afastar de mim.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Cansaço
Estou cansado da minha falta de timing, ao chegar sempre no momento errado. De encontrar as pessoas completamente dangerizadas pelos relacionamentos passados ou na expectativa irreal pelos relacionamentos futuros. Estou cansado de caminhar de solidão acompanhada em solidão acompanhada, para tudo terminar tão melancolicamente em telefonemas perdidos, desculpas escorregadias e qualquer outro tipo de banalidade cotidiana.
Só sei que não há remédio além da velha tentativa e erro. Só que esse cansaço, que muitos já me disseram chamar realidade, vai desconstruindo lentamente, uma a uma, minhas frívolas ilusões. Será que o destino final é tornar uma daquelas pessoas amargas, que um dia quiseram tudo e foram incapazes de reter coisa alguma por entre os dedos?
domingo, 6 de abril de 2008
Insustentável
Hoje percebo coisas diferentes. Hoje percebo, dentro de tanta gente que passou em minha vida, foi você quem foi mais fundo. De todas nossas conversas tangentes, sempre tangentes, ficou o meu desenho mais preciso. Navegávamos por entre banalidades e filmes, livros e idéias. Compartilhávamos nossas solidões povoadas, nossas dores sofisticadas pequeno-burguesas, tantos becos sem saída.
Lembrei-me de como me senti tão frágil aos seus pés: com "Os Dragões..." nas mãos, presente de aniversário escolhido a dedo e a cesta de Páscoa mais linda que pude achar. Senti-me como no conto, nos primeiros minutos: com todo um paraíso desenhado, apodrecendo, por um próprio erro de cálculo. Daí abri janelas, me entreguei ao rancor. Troquei "Os Dragões..." pela belicoso livro de memórias de Churchill. Daí, o resto, você até sabe.
e resgato dentro de uma epifania sem propósito definido. Porque tenho gerado isso: reli "A Insustentável...", para te reencontrar inesperadamente em parágrafos e capítulos. Te revi na morte prematura de Heath Ledger, naquele Pinguim que emendou num cinema e um bocado de palavras que finalmente ficaram grifadas. Te revi em García Marquez, lembrando um dos meus aniversários mais doces cravado noutro Carnaval. Te revi quando revi Sofia Coppola. Foi assim que conclui o quanto você ainda fazia parte de mim. Ainda faz. E é bom te ter assim comigo, muito embora você nem desconfie.
E agora, de pazes feitas, te guardo com ternura e afeto. Na gaveta das coisas doces, independente do desfecho. Adultos, um pouco maduros, até melhores. Para zerar contas e aproveitar tudo aquilo que tínhamos de melhor...
sexta-feira, 28 de março de 2008
Desestrutura total
(Caio Fernando de Abreu)
http://caio-fernando-abreu.blogspot.com/
sexta-feira, 14 de março de 2008
Viva a poesia!
Todo dia é dia de poesia. Em todos os cantos do mundo, em todo os momentos,há alguém evocando sensações, impressões e emoções por meio de sons e ritmos harmônicos.
Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.
Hoje é considerado o Dia Nacional da Poesia pois foi nesta data que nasceu o grande poeta brasileiro Castro Alves. Poeta romântico, Castro Alves morreu de tuberculose na capital baiana Salvador em 06 de julho de 1871, com apenas 24 anos. Ele escreveu poesias importantes como “Navio Negreiro” e, não à toa, ficou conhecido como poeta dos escravos. Por ser um dos grandes expoentes da poesia romântica no Brasil é que Castro Alves é homenageado até hoje.
A poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.
Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo-grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”. Geralmente a expressão “poesia” se aplica à estrutura de texto em versos. Os versos são as “linhas” do poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe.